
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Poema marginal

Esse poema já nasceu condenado, coitado!
Filho de mãe messalina e pai ignorado,
veio ao mundo imundo, impuro,
impregnado de culpa e pecado!
Trazia em si a fadiga
de um fardo humanamente profano.
Cheirava encrenca, balbúrdia,
vivia em meio à orgia
do submundo urbano.
Abusado, o poema cresceu,
adolescendo ainda mais leviano.
Disseminou verbetes impróprios,
andou por recantos inóspitos,
entregou-se ao apelo mundano.
Já adulto, adúltero,
desregrado, abusado, insano,
ao patíbulo foi condenado
morreu o poema, enforcado
por um algoz puritano.
Malu Sant’Anna
Versinho
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Releitura
FOTO TIAGO RAMOS
tirou de mim
a graça
para que, enfim,
eu pudesse
passar
minha alma
a limpo.
Malu Sant'Anna
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
A Bruxa
FOTO JOSÉ CALHEIROS
amante do Sol
poções e magias,
caldeirão e vassoura,
manto e punhal...
Sou parte do todo,
sou milenar
fagulha de sonho
arquitetando o destino.
Malu Sant'Anna
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Vento
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Marco zero
FOTO SONIA GUERREIRO
da retina.
Olha-me hoje
como se fosse
a primeira
e a última vez.
Malu Sant'Anna
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Primaveris
FOTO JOSÉ CARLOS PIRES GONÇALVES
Ao seu redor
o desejo aflora à pele
na primavera de nós dois.
Malu Sant'Anna
na primavera de nós dois.
Malu Sant'Anna
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Facções
FOTO NANÃ SOUSA DIAS
O caos parece
que habita em mim.Duas facções disputam
o controle paralelo.
Duas líderes sediciosas
impõem suas contra-ordens
num panorama
tipicamente humano.
Não há mocinha
nem bandida,
rainha ou plebéia,
santa ou puta,
boa ou má.
Apenas duas faces
que disputam
a superfície
da criatura.
Malu Sant'Anna
tipicamente humano.
Não há mocinha
nem bandida,
rainha ou plebéia,
santa ou puta,
boa ou má.
Apenas duas faces
que disputam
a superfície
da criatura.
Malu Sant'Anna
Labirinto
FOTO ANA RITA VAZ CRUZ
Todas as minhas forças
emergem sublimes
e eu enfrento o mundo
com a alma liberta.
Comungo com o universo
na origem poética
de todas as composições
e constelações
e de tanto amor que sinto
acredito no encontro inevitável
no confronto previsível
das emoções incontidas
com a razão imposta
como em um fabuloso
duelo de titãs.
Sobrevivo
ainda que entorpecida
porque percebo
por todos os sinais
que, por mais que o mundo dê voltas
por mais que as circunstâncias
e as conveniências insistam
em criar distância e ausência
o amor sempre será um labirinto
onde a única saída possível
é também a porta por onde entramos.
Malu Sant'Anna
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Felicidade
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Pedra maldita
FOTO ROGER MEIRELLES
A única forma possível de se estar a salvo do crack por dentro, é jamais experimentá-lo.

A única forma possível de se estar a salvo do crack por dentro, é jamais experimentá-lo.
Por fora, desconheço...
“Perdi um filho por causa da pedra. Estou limpa há três meses, desde a perda. O crack destrói a vida da gente e tudo ao redor. Perdemos a auto-estima, o amor próprio, perdemos tudo, tudo mesmo. Fiz meu pai perder seu crédito e roubei minha mãe (R$300,00), sem me importar com o fato de que ela estava morrendo de câncer...”
Esse relato contundente é verídico. “G” é uma mulher jovem, no máximo 25 anos, grávida de três meses, que confessa ainda sentir vontade de consumir a pedra maldita diariamente. Está há três meses sem usar, mas sabe que terá de lutar contra essa “vontade” por toda a sua vida.
A epidemia do crack, ainda que muitas autoridades relutem em aceitar, é disseminada não só nas camadas mais pobres da sociedade. Famílias inteiras padecem. Crianças, jovens, adultos, idosos, ninguém está completamente a salvo. A única maneira de se evitar, em nossas vidas, os estragos dessa droga poderosa, degradante, altamente viciante, é jamais experimenta-la. Ainda assim, não estaremos a salvo do convívio com pessoas absurdamente alteradas por conta dos efeitos nocivos do crack.
Esse relato contundente é verídico. “G” é uma mulher jovem, no máximo 25 anos, grávida de três meses, que confessa ainda sentir vontade de consumir a pedra maldita diariamente. Está há três meses sem usar, mas sabe que terá de lutar contra essa “vontade” por toda a sua vida.
A epidemia do crack, ainda que muitas autoridades relutem em aceitar, é disseminada não só nas camadas mais pobres da sociedade. Famílias inteiras padecem. Crianças, jovens, adultos, idosos, ninguém está completamente a salvo. A única maneira de se evitar, em nossas vidas, os estragos dessa droga poderosa, degradante, altamente viciante, é jamais experimenta-la. Ainda assim, não estaremos a salvo do convívio com pessoas absurdamente alteradas por conta dos efeitos nocivos do crack.
O que acontece?
São necessários apenas 10 segundos para que o usuário sinta os efeitos que se iniciam por euforia e excitação, seguidas por respiração e batimentos cardíacos acelerados, depressão, delírio e uma vontade quase sempre incontrolável por se consumir novas doses.
O crack é uma forma não salgada da cocaína, isolada numa solução de água, depois de um tratamento de sal dissolvido em água com bicarbonato de sódio, sendo de cinco a sete vezes mais potente e destruidor que a cocaína. Além dos componentes da pasta, a droga contém muitas impurezas.
Possui um poder avassalador para desestruturar a personalidade, agindo em prazo muito curto e criando enorme dependência psicológica. Assim como a cocaína, não causa dependência física, o corpo não sinaliza a carência da droga.
As primeiras sensações são de euforia, brilho e bem-estar, descritas como o estalo, um relâmpago, o "tuim", na linguagem dos usuários. Na segunda vez, elas já não aparecem. Logo os neurônios são lesados e o coração entra em descompasso (de 180 a 240 batimentos por minuto). Há risco de hemorragia cerebral, fissura, alucinações, delírios, convulsão, infarto agudo e morte.O pulmão se fragmenta. Problemas respiratórios como congestão nasal, tosse insistente e expectoração de mucos negros indicam os danos sofridos. Dores de cabeça, tonturas e desmaios, tremores, magreza, transpiração, palidez e nervosismo atormentam o craqueiro. Outros sinais importantes são euforia, desinibição, agitação psicomotora, taquicardia, dilatação das pupilas, aumento de pressão arterial e transpiração intensa. São comuns queimaduras nos lábios, na língua e no rosto pela proximidade da chama do isqueiro no cachimbo, no qual a pedra é fumada.O crack induz a abortos e nascimentos prematuros. Os bebês sobreviventes apresentam cérebro menor e choram de dor quando tocados ou expostos à luz. Demoram mais para falar, andar e ir ao banheiro sozinhos e têm imensa dificuldade de aprendizado.
O caminho da droga no organismo do cachimbo ao cérebro
1. O crack é queimado e sua fumaça aspirada passa pelos alvéolos pulmonares
2. Via alvéolos o crack cai na circulação e atinge o cérebro
3. No sistema nervoso central, a droga age diretamente sobre os neurônios. O crack bloqueia a recaptura do neurotransmissor dopamina, mantendo a substância química por mais tempo nos espaços sinápticos. Com isso as atividades motoras e sensoriais são superestimuladas. A droga aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca. Há risco de convulsão, infarto e derrame cerebral.
4.O crack é distribuído pelo organismo por meio da circulação sanguínea
5. No fígado, ele é metabolizado
6. A droga é eliminada pela urina
Ação no sistema nervoso
Em uma pessoa normal, os impulsos nervosos são convertidos em neurotransmissores, como a dopamina e liberados nos espaços sinápticos. Uma vez passada a informação, a substância é recapturada. Nos usuários de crack, esse mecanismo encontra-se alterado. A droga subverte o mecanismo natural de recaptação da substância nas fendas sinápticas. Bloqueado esse processo, ocorre uma concentração anormal de dopamina na fenda, superestimulando os receptores musculares - daí a sensação de euforia e poder provocada pela droga. A alegria, entretanto, dura pouco. Os receptores ajustam-se às necessidades do sistema nervoso. Ao perceber que existem demasiados receptores na sinapse, eles são reduzidos. Com isso as sinapses tornam-se lentas, comprometendo as atividades cerebrais e corporais.
O crack nasceu nos guetos pobres das metrópoles, levando crianças de rua ao vício fácil e a morte rápida. Agora chega à classe média, aumentando seu rastro de destruição. Muitos usuários iniciam o consumo de crack fumando o "pitico", cigarro de maconha misturada com a pedra.
Fonte: Anjos Caídos, Içami Tiba. Editora Gente, 6ª ediçãoFonte: Globo Ciência/1996 Ano 5 nº 58
Malu Sant'Anna
A boca
Adoro experimentar novos sabores...
Estou sempre entre os extremos do sagrado e do profano, permeada por uma sede infinita de auto-conhecimento. Até já testei alguns limites, mas isso sempre é risco: o risco de gostar e querer ir até o fim; o risco de detestar e ficar me culpando por gerações...
Um gosto novo é sempre um grande desafio: pode surpreender ou não...
Da boca sei que saem flechas embebidas em arsênico, certeiras e fatais. Por conta disso, há tempo deixei de experimentar meu poder de destruição através da palavra. É uma curiosidade que não tenho mais. Da mesma forma, com candura e leveza, da boca saem flores silvestres que podem resgatar alguém à beira da morte em vida...
Pela boca entram os sabores mais atrevidos: o doce gelado e cremoso do sorvete e o café quente e amargo, ambos feitos por mim; o alimento diário; a cerveja deliciosamente tomada na lata (bem lavadinha), que desce acariciando as paredes da garganta e o whisky que arranha e liberta, despertando totalmente a libido; a saliva e o sêmem amados que tanto fascínio me causam...
Pela boca sai e entra um pouco de tudo. Tem horas que é bom fechar... Em outras, impossível não abrir...
A boca é uma porta. Do corpo, a minha predileta.
Malu Sant'Anna
Estou sempre entre os extremos do sagrado e do profano, permeada por uma sede infinita de auto-conhecimento. Até já testei alguns limites, mas isso sempre é risco: o risco de gostar e querer ir até o fim; o risco de detestar e ficar me culpando por gerações...
Um gosto novo é sempre um grande desafio: pode surpreender ou não...
Da boca sei que saem flechas embebidas em arsênico, certeiras e fatais. Por conta disso, há tempo deixei de experimentar meu poder de destruição através da palavra. É uma curiosidade que não tenho mais. Da mesma forma, com candura e leveza, da boca saem flores silvestres que podem resgatar alguém à beira da morte em vida...
Pela boca entram os sabores mais atrevidos: o doce gelado e cremoso do sorvete e o café quente e amargo, ambos feitos por mim; o alimento diário; a cerveja deliciosamente tomada na lata (bem lavadinha), que desce acariciando as paredes da garganta e o whisky que arranha e liberta, despertando totalmente a libido; a saliva e o sêmem amados que tanto fascínio me causam...
Pela boca sai e entra um pouco de tudo. Tem horas que é bom fechar... Em outras, impossível não abrir...
A boca é uma porta. Do corpo, a minha predileta.
Malu Sant'Anna
Quase Obscena
Provoca em mim
o gozo pleno
da minha saliva na tua
do teu corpo no meu.
Evoca no íntimo
de minhas entranhas
a plenitude e o furor
despida de pudores
essa minha alma nua
E eu te cavalgo
galopo em teu colo
sussurro um gemido
que te diz tudo.
Te provoco arrepios
e tu em mim
derramas a vida
num brinde ao amor.
Malu Sant’Anna
o gozo pleno
da minha saliva na tua
do teu corpo no meu.
Evoca no íntimo
de minhas entranhas
a plenitude e o furor
despida de pudores
essa minha alma nua
E eu te cavalgo
galopo em teu colo
sussurro um gemido
que te diz tudo.
Te provoco arrepios
e tu em mim
derramas a vida
num brinde ao amor.
Malu Sant’Anna
Autobiografia
Nasci loirinha,
tão pequena
caçula de três.
Depois mais crescidinha,
fiquei morena...
Com 13, perdi meu pai
quanta dor...
Também com 13 virei mocinha
e, mulher, aos dezesseis.
Com 19, casei errado,
morri um pouco
a cada dia
mas renasci com vinte e seis
quando Francisco
eu dei à Luz.
Com 30, conheci o amor,
com 38, o consagrei.
Estou com 40 e hoje
vejo que é tão pouco
é pouco ainda
tudo o que eu sei...
Malu Sant’Anna
tão pequena
caçula de três.
Depois mais crescidinha,
fiquei morena...
Com 13, perdi meu pai
quanta dor...
Também com 13 virei mocinha
e, mulher, aos dezesseis.
Com 19, casei errado,
morri um pouco
a cada dia
mas renasci com vinte e seis
quando Francisco
eu dei à Luz.
Com 30, conheci o amor,
com 38, o consagrei.
Estou com 40 e hoje
vejo que é tão pouco
é pouco ainda
tudo o que eu sei...
Malu Sant’Anna
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Andanças
Já andei por aí, em tantos cantos com seus ângulos, côncavos, retos e obtusos... por ruelas e avenidas; na rigidez do sol de verão, próximo ao paralelo 30 ou no gélido cair da geada impiedosa das madrugadas do inverno. Já subi ladeira e desci escada sem pisar nos degraus. Já dormi na relva, amanheci sombria e também já iluminei a vida de alguém, aos pés de uma lápide fria. Sufoquei o pranto, para não causar comoção indevida e gargalhei retumbante, sem pensar no eco da minha alegria implodindo os ouvidos alheios. Chorei e sorri sozinha, em par e até em bando... Tomei goles de euforia, até a embriaguez, amortecendo as dores da carne. Rompi milhares de horizontes, um mais intenso que o outro. Batizei um filho meu e alguns filhos de meus compadres e comadres. Bebi, fumei, larguei, fiquei. Vesti e desnudei. Saí, voltei.
Andei por caminhos transversos e por retas intermináveis. Reclinei o corpo nas curvas e senti um friozinho na barriga nas lombadas inesperadas.
Cansei muitas vezes e parei para descansar. Parei para olhar para o lado e, quando tentei olhar para trás, em um determinado trecho, perdi o equilíbrio, quase caindo. Mas jamais desisti de andar e, nas poucas vezes que reclamei dos pés inchados, da chuva e do frio cortantes; do sol e do calor escaldante, eu estava apenas pedindo colo, eu precisava de abrigo, um olhar mais ameno, um sorriso sereno, um ombro amigo...
Malu
Poeta
Com as palmas
das mãos suadas
de onde verte a alma
em versos
o poeta toca a alma alheia,
comunga e a liberta.
Malu Sant'Anna
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Amor para sempre
A estrada nua da minha vida
agora é tua
todos atalhos que eram meus
também são teus
te prometi e mais uma vez
te dei a lua
que bom que agora
não precisamos dizer adeus
porque a história de amor
da minha vida
tem o teu nome
as tuas formas
a tua cor
porque contigo a minha vida
é colorida
tenha certeza
serás prá sempre
o meu amor
Malu Sant'Anna
agora é tua
todos atalhos que eram meus
também são teus
te prometi e mais uma vez
te dei a lua
que bom que agora
não precisamos dizer adeus
porque a história de amor
da minha vida
tem o teu nome
as tuas formas
a tua cor
porque contigo a minha vida
é colorida
tenha certeza
serás prá sempre
o meu amor
Malu Sant'Anna
A vida no cio

Por um tempo incontável, um querer incontido me fez refém do medo. Eu teimei viver no outono de cada nova estação...
Destilei o fel de minhas entranhas na noite lúgubre dos ébrios e mais feri que fui ferida.
Eu mesma me fiz noite... Fechei os olhos, mergulhei no silêncio, virei às costas, tranquei o choro e também o riso. Só não pude negar para sempre a natureza desse auto-abandono que tinha teu nome, teu cheiro, tuas formas, teu sabor...
Então, desisti de lutar em vão e me entreguei ao acaso.
Foi quando as nuvens da desolação infame dissiparam-se enfim e o sol estendeu um raio sutil, aquecendo-me, clareando...
Veio brilhar, muito logo por inteiro, trazendo luz, vida e calor, permitindo o resgate da minha essência adormecida. E o outono que parecia perene foi passando para que eu pudesse viver a cada novo dia uma nova estação.
Em ti descobri meu porto seguro, ainda que tanto desejo por vezes me traga maravilhosas tormentas.
Sacio minha alma na tua, embriagando-me no lirismo do teu sorriso, mesmo que eu esteja sempre sedenta dos teus beijos e abraços.
Tu és o sol do meu dia e, ainda que a noite venha cobrir os sonhos com seu manto azul-marinho, tu reinas soberano na paz que hoje tenho, pleno e absoluto, prateando a lua e fazendo luzir cada estrela no meu céu
Eu vejo Vida brotando em todos os cantos, fluindo em meus tecidos, transbordando em meus poros.
E eu te quero todos os dias, todas as horas, em todos os momentos, de todas as formas e para sempre!
A vida hoje quando amanhece para nós dois sob o mesmo teto, sobre a mesma cama, é alegria, coragem, sedução... É o elo que se fortalece, que instiga as vontades mais íntimas e dá a certeza de que temos um ao outro, de que somos um no outro melhores do que seríamos em qualquer outro lugar.
É a dádiva que o Divino nos deu como recompensa por termos acreditado no amor e por termos nos permitido amar de verdade, já que a vida está no cio, de corpo, alma, mente e coração.
Que bom que a história de amor da minha vida é também da tua.
O melhor lugar do mundo é ao teu lado... Na tua boca, o melhor sabor... Teu corpo exala meu aroma preferido. Em ti me entorpeço e cresço, porque foi nos teus braços que eu conheci e reencontrei o amor.
Malu Sant'Anna
Destilei o fel de minhas entranhas na noite lúgubre dos ébrios e mais feri que fui ferida.
Eu mesma me fiz noite... Fechei os olhos, mergulhei no silêncio, virei às costas, tranquei o choro e também o riso. Só não pude negar para sempre a natureza desse auto-abandono que tinha teu nome, teu cheiro, tuas formas, teu sabor...
Então, desisti de lutar em vão e me entreguei ao acaso.
Foi quando as nuvens da desolação infame dissiparam-se enfim e o sol estendeu um raio sutil, aquecendo-me, clareando...
Veio brilhar, muito logo por inteiro, trazendo luz, vida e calor, permitindo o resgate da minha essência adormecida. E o outono que parecia perene foi passando para que eu pudesse viver a cada novo dia uma nova estação.
Em ti descobri meu porto seguro, ainda que tanto desejo por vezes me traga maravilhosas tormentas.
Sacio minha alma na tua, embriagando-me no lirismo do teu sorriso, mesmo que eu esteja sempre sedenta dos teus beijos e abraços.
Tu és o sol do meu dia e, ainda que a noite venha cobrir os sonhos com seu manto azul-marinho, tu reinas soberano na paz que hoje tenho, pleno e absoluto, prateando a lua e fazendo luzir cada estrela no meu céu
Eu vejo Vida brotando em todos os cantos, fluindo em meus tecidos, transbordando em meus poros.
E eu te quero todos os dias, todas as horas, em todos os momentos, de todas as formas e para sempre!
A vida hoje quando amanhece para nós dois sob o mesmo teto, sobre a mesma cama, é alegria, coragem, sedução... É o elo que se fortalece, que instiga as vontades mais íntimas e dá a certeza de que temos um ao outro, de que somos um no outro melhores do que seríamos em qualquer outro lugar.
É a dádiva que o Divino nos deu como recompensa por termos acreditado no amor e por termos nos permitido amar de verdade, já que a vida está no cio, de corpo, alma, mente e coração.
Que bom que a história de amor da minha vida é também da tua.
O melhor lugar do mundo é ao teu lado... Na tua boca, o melhor sabor... Teu corpo exala meu aroma preferido. Em ti me entorpeço e cresço, porque foi nos teus braços que eu conheci e reencontrei o amor.
Malu Sant'Anna
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Mar
Quando enfim
caminhar sobre a areia
e sentir tuas ondas salgadas
acariciarem meus passos cansados,
tudo estará
infinitamente melhor...
No teu sal, o Divino irá me curar!
Malu Sant'Anna
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Tua Itapema
FOTO JOTA JUNIOR

Deixa-me ser tua Itapema
linda, aos pés do mar
que eu te consagro
mais uma vez
ao amor infinito.
Vem pelo istmo
do desejo incontido
e te apossa
da minha geografia...
Faz em mim tua morada
teu refúgio, tua estadia.
Percorre
meus caminhos todos
desbravando as penínsulas...
Faz de mim tua estrada
teu remanso, tua poesia.
Eu te recebo inteiro
o gozo, o sonho, o riso
e tu te apossas, enfim
de mim, prá sempre
somente tua:
O teu paraíso!
Malu Sant’Anna
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Banquete
Sonhos rasgados
FOTO DE CARLOS DE SOUSA SANTOS
Tenho umaarca imensa,
carcomida pelo tempo
que fica a um canto
do quarto de dormir.
Nela, empoeirados
sonhos amargam o abandono.
Alguns ainda
irradiam brilho sutil
outros, sucumbiram
diante da insistência
brutal da realidade.
Rasgaram-se, frágeis
pela existência de um tempo
impróprio demais
para se sonhar.
Malu Sant'Anna
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Fim de Tarde (Para Amorinha)
Intensa, plena
Metamorfoseando-se
Para se completar
Perdendo-se
Para se encontrar
Nenhum caminho é definitivo
Não, não é... não ainda
Bem sabes
Porque todos os rumos
São possíveis quando se quer
E quando buscares teu norte
Não esqueça
Que tu tens a direção
Que tu fazes as esquinas
Os atalhos, as saídas
Deixa sempre aberta
A porta principal
Por onde entra a alegria
E por onde a sensibilidade
Insistirá em sair
Permita-se, com poesia
Aventure-se, com ousadia
Porque o mundo te pertence
E cabe na palma da tua mão
O mundo cabe num beijo
Cabe em uma palavra,
Em um olhar
E é infinitamente menor
Do que teu sorriso
Num fim de tarde.
(Malu Sant’Anna)____________________________________________________________________
Onde há beleza no caráter, a alma resplandesce!
(Malu Sant'Anna)
sábado, 24 de maio de 2008
Ainda que eu tente...
depois do dito
a alma se dilacera
e já não é mais possível harmonizar
Ainda que eu tente
e sinta o quanto preciso
melhorar minhas convivências
eu insisto em ser perversa
mesmo que numa fração de segundos...
Malu Sant'Anna
a alma se dilacera
e já não é mais possível harmonizar
Ainda que eu tente
e sinta o quanto preciso
melhorar minhas convivências
eu insisto em ser perversa
mesmo que numa fração de segundos...
Malu Sant'Anna
quarta-feira, 19 de março de 2008
Eu, Borboleta

Não posso acordar num novo dia
E simplesmente ser outra pessoa
Ter outra vida
Outros planos e sonhos
Tampouco posso apagar
Os capítulos que já escrevi
Impedir que as palavras ditas
Que os gestos praticados
Poupem o estrago que já causaram
Eu só posso aprender com os erros
Acordar agradecida pela vida
Pela família, pela saúde, pelo trabalho
Acreditar nas minhas vontades
E cuidar com zelo dos sonhos
Dos meus e dos que estão ligados a mim
Eu devo pensar mais do que falar
Sempre! Sempre pensar o que falo
Ao contrário de falar o que penso
E agir com o mundo
Como se estivesse diante de mim mesma
Porque a minha felicidade
Está onde o mundo é feliz
Cada dia é uma dádiva
Cada amizade um tesouro
Cada amor único em sua grandeza
Próprio por sua intensidade
Diante de tanta imensidão
De tudo aquilo que se descortina
Que desafia, que instiga
Um fragmento no tempo é o bastante
Para se eternizar uma vida
E ainda que muitas vezes eu amanheça lagarta
E me tranque em meu casulo cinzento
Em tantas outras manhãs
Eu, Borboleta, prefiro beber das flores
Colorindo meu paladar
Brincando com as cores, com os aromas
E, sobretudo, podendo voar...
Malu Sant’Anna
E simplesmente ser outra pessoa
Ter outra vida
Outros planos e sonhos
Tampouco posso apagar
Os capítulos que já escrevi
Impedir que as palavras ditas
Que os gestos praticados
Poupem o estrago que já causaram
Eu só posso aprender com os erros
Acordar agradecida pela vida
Pela família, pela saúde, pelo trabalho
Acreditar nas minhas vontades
E cuidar com zelo dos sonhos
Dos meus e dos que estão ligados a mim
Eu devo pensar mais do que falar
Sempre! Sempre pensar o que falo
Ao contrário de falar o que penso
E agir com o mundo
Como se estivesse diante de mim mesma
Porque a minha felicidade
Está onde o mundo é feliz
Cada dia é uma dádiva
Cada amizade um tesouro
Cada amor único em sua grandeza
Próprio por sua intensidade
Diante de tanta imensidão
De tudo aquilo que se descortina
Que desafia, que instiga
Um fragmento no tempo é o bastante
Para se eternizar uma vida
E ainda que muitas vezes eu amanheça lagarta
E me tranque em meu casulo cinzento
Em tantas outras manhãs
Eu, Borboleta, prefiro beber das flores
Colorindo meu paladar
Brincando com as cores, com os aromas
E, sobretudo, podendo voar...
Malu Sant’Anna
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Lua dos Amantes
Meu presente pra ti
FOTO MARISA TAVARES

Pedi à lua em segredo
que brilhasse inteira nessa noite
e te encontrasse em qualquer lugar.
Ela surgiu imensa, branca
de modo que fosse impossível
ainda brilhar mais...
Muitas noites de ausência
não foram o bastante
para apagar tua presença de minha alma
sequer turvaram a lembrança
de tanto querer mútuo
tanta entrega e plenitude
dos momentos que foram mágicos
quando nos descobrimos por inteiro
completamente um no outro
cúmplices e libertos ...
Hoje, quando olhares a lua
em sua grandeza idílica
sentirás minha presença
assim como sinto a tua.
que brilhasse inteira nessa noite
e te encontrasse em qualquer lugar.
Ela surgiu imensa, branca
de modo que fosse impossível
ainda brilhar mais...
Muitas noites de ausência
não foram o bastante
para apagar tua presença de minha alma
sequer turvaram a lembrança
de tanto querer mútuo
tanta entrega e plenitude
dos momentos que foram mágicos
quando nos descobrimos por inteiro
completamente um no outro
cúmplices e libertos ...
Hoje, quando olhares a lua
em sua grandeza idílica
sentirás minha presença
assim como sinto a tua.
Lembrarás o gosto do beijo,
sorverás o ar mansamente,
como se bebesse de mim,
assim como naquela noite
na última vez que pedi
e a lua também brilhou assim:
Naquela noite, como hoje
a lua é meu presente pra ti.
Malu Sant'Anna
Lavando a alma
FOTO JOSÉ ROBERTO VAISENKOVAS
sem que percebamos
e uma palavra mais dura,
um olhar mais severo é o que basta
para que o sal do
corpo também debulhe
e inunde o rosto.
Às vezes chorar é bom
porque significa que estamos
e uma palavra mais dura,
um olhar mais severo é o que basta
para que o sal do
corpo também debulhe
e inunde o rosto.
Às vezes chorar é bom
porque significa que estamos
lavando nossa alma
e mesmo que tenhamos
e mesmo que tenhamos
os melhores sentimentos,
que cultivemos bons
relacionamentos,
que tentemos pensar
que cultivemos bons
relacionamentos,
que tentemos pensar
sempre o bem,
a alma acaba ficando
meio sombria
diante de tanta discórdia
diante de tanta miséria
diante de tanta falsidade
diante de tantas mazelas ...
Hoje eu acordei
com vontade de chorar...
a alma acaba ficando
meio sombria
diante de tanta discórdia
diante de tanta miséria
diante de tanta falsidade
diante de tantas mazelas ...
Hoje eu acordei
com vontade de chorar...
Malu Sant'Anna
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